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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Memories

Tem poeminha novo (em inglês) publicado no meu blog Insônia Literária. Com uma linda foto do Alê...
Leia em:
http://insonialiteraria.blogspot.com/2010/01/memories.html

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuspe

Entre goles de cachaça
e trocas furtivas de saliva,
eu vou cuspindo você.

Entre baforadas de fumaça
e liberdade permissiva,
vou conseguindo esquecer.

Porque eu não engulo mais
nossa história,
que ficou presa no passado.

Encontrei a paz nessa escola:
na beleza do emaranhado

de futuros incertos,
e recomeços sem fim,

de tudo que foi descoberto,
você já não serve pra mim.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Não é carência

Não é carência nem indecência essa minha vontade de amar. É a busca pela eterna magia da poesia. Alegria de te achar, mesmo onde você não está.

Fragilidade, que nada! É furar a onda, de cara lavada, investir na ronda, na foda, está sempre na moda, se apaixonar.

Senão pra que a vida, fudida? Senão fantasiosa, aconchegante, no colo de um amante, que nos faz ser mulher.

Não quero ser apenas mãe, namorada, esposa. Quero ser a puta na cama. Aquela que você derrama com pressa e sofreguidão. Aquela que sente o peso e a força de tua mão.

Não é carência nem indecência essa minha vontade de amar. É a busca pela eterna magia da poesia. Alegria de te achar, mesmo onde você não está.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A noite

A noite é de pessoas instantâneas,
insanas.
Observar alguma coisa?
Só se forem os peitos,
perfeitos,
as curvas, saliências, quadris.
Ganha quem tiver mais ardis
e decotes.
Ir muito vestida
é a morte.
Os cabelos?
De preferência lisos
e compridos.
Na boca, o riso,
no olhar, libido.
Não se pode perder tempo,
vai se direto ao ponto.
Quer dizer, ao beijo.
Realizemos o desejo.
Onde foi parar o papo?
O jeito?
A curiosidade do toque?
Mistura tudo e vira rock, pop.
A noite é pra pegar,
zoar, ficar.
Dançar é só o esquenta.
Toda semana isso.
Cada dia com uma diferente.
Como é que você aguenta?
Andemos, seguindo em frente.
Amanhã é dia de trabalho.
Caralho!
Tenho que acordar cedo
e a conquista da night vai virar segredo,
passado.
E, se bobear,
no próximo dia,
você esbarra com aquela vadia,
na rua.
Mas então ela estará metida num tailleur,
terninho,
numa roupa de respeito.
Aí não tem mais graça, não é mesmo?
Cadê o colo nu, o decote no peito?
Será que você irá reconhecê-la?
Quando é que essa vida acaba?
Quando é que a música pára?
Alguém pode acender a luz, por favor?

domingo, 29 de março de 2009

Vestida de Luz


Hoje vou vestida de luz
e minha estampa é o contraste
entre o breu e a claridade.
A escuridão é meu disfarce
e a luz do sol é a verdade
que me deixa no impasse:
o que escondo e o que revelo?
Não me sobram nem chinelos,
pois finquei meus pés no chão.
Então, me dê a sua mão
que já não tenho mais cabelos
e aqueles fios que jorravam
da minha cabeça sempre a mil.
Hoje vou vestida de luz
e minha estampa é o contraste
entre o breu e a claridade,
entre o disfarce e a verdade.

Inspirado na foto de Lucien Clerghe, postada no blog: http://freakshowbusiness.com/

terça-feira, 17 de março de 2009

Cultura na Barra da Tijuca

Gente, tô ficando muito saidinha. Pra vender, é preciso divulgar.
Por isso, fui ao segundo evento da Semana de Poesia na Barra e tive uma grata surpresa. Na livraria Diversos (Café e Cultura), na Érico Veríssimo, tive a prova de que a Barra também sabe muito bem organizar eventos culturais de alto gabarito, como este, capitaneado por João Luiz de Sousa.

Poetas geniais e dos mais variados estilos, música de altíssima qualidade, bebidinhas, quitutes e ainda tem sorteio de livros entre os presentes. O sucesso é tanto que o povo que está no restaurante Balada Mix, ao lado, acaba prestando atenção a tudo, se encanta e passa a frequentar a Livraria também. Olha que luxo!
Viram as fotos d'euzinha aqui declamando poemas e divulgando o meu livro? Não estou bonita nas fotos. Não importa. O que interessa é que meu livro "Sorria, você está na Barra" estará, em breve, à venda também na Livraria Diversos, na Av. Érico Veríssimo, 843 - A.

E nesta semana tem mais eventos da Semana de Poesia, espalhados pela cidade. Confira aqui a programação.

Compre meu livro pelo site da editora , ou, autografado, pelo e-mail: vendas.sorria@gmail.com

Ainda na Livraria Nobel do Downtown:
Av. Das Américas, 500 - Bl 21- Lj 138Barra Da Tijuca - CEP: 22640.100Rio De Janeiro / RJ55 21 2493-6301

Acesse a Comunidade no orkut e saiba mais.

Beijo, beijo, beijo!

segunda-feira, 16 de março de 2009

II Semana da Poesia (Programação)

Homenageando Vinícius de Moraes, meu querido e idolatrado poetinha

(15/03 - DOMINGO), a partir de 16hs:
TODAS AS TRIBOS
na praia de Ipanema em frente a Rua Vinícius de Moraes, (varal de poemas, performances, música e artes plásticas) - Mobilização à favor da estátua do poetinha no calçadão de Ipanema

segunda - 16/03:
CORUJÃO DA POESIA
na Barra da Tijuca:
20h às 24h : Livraria Diversos - (Av. Érico Veríssimo, 843, lado A - ao lado do restaurante Balada Mix)
no Leblon:
20h30 às 23h30 : Livraria da Conde - Rua Conde de Bernadote, 26, lj 125.

terça, 17/03:
CORUJINHA DA POESIA - 21 a 23h30
Pizzaria Pronto - Rua Dias Ferreira, 33 - Leblon
CORUJÃO DA POESIA - 24 às 6h
Livraria Letras & Expressões Leblon - Av. Ataulfo de Paiva 1292 Lj.C

Quarta, 18/03, 19 às 22hs:
POLEM
Praia do Leme - Quiosque Estrela de Luz (em frente ao Fiorentina)

Quinta, 19/03, 20h30:
RATOS DI VERSOS
Bar do Jô - Beco das Carmelitas - Lapa (próximo ao Beco dos Ratos)

Sexta, 20/03, 20h30 as 23h30:
MOVIMENTO INVERSO
Barteliê - Vinicius de Moraes, 190 - apto 03 - Ipanema (esquina com Nascimento Silva)

Sábado, 21/03, 19h30:
CASA POEMA (Dia Mundial da Poesia)
Rua Paulino Fernandes, 15 - Botafogo (Coordenação: Elisa Lucinda)

Maiores informações:
www.almadepoeta.com/segundasemanadapoesia.htm
semanadapoesiario@gmail.com

terça-feira, 10 de março de 2009

Um pouco de poesia

Chega de falação, de analisar comportamentos, ditar regras, reclamar do mundo. Que tal um pouco de poesia hoje?

Amor:
Muitos carnavais - Leia
Sintomas - Sinta

Desamor:
Natural - Confira
Cena do crime -Desvende

Erotismo:
Nossa fome - Alimente-se

E para quem ficar impressionado com tanto amor e dor - e com essa infame rima - saiba que o poeta não é triste.

Bjs de poeta pra você,
Mariana*

*Sei que o certo seria eu me conclamar poetisa, mas acho essa palavra machista e muito da cafona.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Realidade ou ficção? Eis a questão!

Quando fui à editora, assinar o contrato do meu primeiro livro, conheci uma pessoa muito interessante. Escritora às vésperas de lançar seu primeiro livro, assinando seu contrato no mesmo dia que eu. A burocracia acabou rapidamente e eu, com minha mania de puxar papo, perguntei sobre o livro dela. Nós começamos a conversar. Foi aí que descobrimos inúmeras afinidades, começando pela faculdade na qual estudamos e passando pelas mesmas manias de poetisa, como gostar de escrever à noite, dormir sempre com um bloquinho e caneta à cabeceira – e por vezes acordar para escrever – além da mania de beber vinho e escrever compulsivamente. Mas estou aqui para falar de outra afinidade com a autora. E, como estou apenas começando a freqüentar eventos poéticos, imagino que muito em breve encontrarei mais poetas que passaram pelo mesmo que nós. Falo da dificuldade dos nossos leitores de separarem a ficção da realidade.

Foi nesse dia que percebi como é comum os leitores confundirem aquilo que escrevemos com o que estamos sentindo ou vivendo no momento. É impressionante! Parece até aquela confusão que muita gente faz ao se deparar, na rua, com um ator que está vivendo um papel de vilão na televisão. Como se ele fosse o personagem 24 horas do dia. Só que aí tem um diferencial. Confundir as dores e alegrias dos poemas e contos com as dores do escritor é quase o mesmo que confundir, por exemplo, todas as características de todos os personagens de novela com as características reais de seu autor. Já pensou que loucura? Se fosse assim, os autores de novela seriam as pessoas mais vividas do mundo, não é mesmo? Como é que podem ter vivenciado tantas experiências diferentes num só corpo, numa só vida?

Outro dia, ri muito ao ouvir a pergunta de um amigo que lera meu conto chamado “Juliana e o coelho”, que fala de um casal formado por uma mulher que usa vibrador e um homem que usa uma boneca inflável. Muito sem graça, e já pedindo desculpas antecipadamente por sua curiosidade, ele indagou: “Mariana, o seu marido tem uma boneca inflável?” Gente! O que responder a uma pergunta dessas? Pausa para rir. Recobrado o fôlego, expliquei: “Nem tudo o que a gente escreve é a nossa realidade.” Às vezes a gente inventa, às vezes a gente recria uma história de um conhecido, às vezes a gente até escreve o que nos aconteceu, mas, na maioria das vezes, a gente realiza na escrita tudo aquilo que a gente nunca viveu, afinal, escrever é isso. É realizar o que não vivenciamos na prática, é protesto, auto-análise, é brincar de faz de conta. E como eu escrevo muita coisa erótica, confesso: essa não foi a primeira vez em que fui indagada sobre a coerência da minha escrita com a minha realidade.

É mesmo muito bom saber que nosso texto desperta tanto a curiosidade alheia. E mais: quando se fala de erotismo, gera-se ainda muita polêmica e hipocrisia. E eu adoro isso! Principalmente porque é exatamente nessas ocasiões em que me sinto tocando quem mais pode se beneficiar com a minha literatura, se é que alguém pode se beneficiar com ela... Como as pessoas que ficaram chocadas com minha tristeza em alguns poemas ou com minha devassidão e pornografia em outros escritos. Essas são as mesmas pessoas que são assombradas por dores terríveis e/ou perseguidas por sonhos eróticos altamente “pecaminosos”, na sua visão curta do que seja pecado. Afinal, quem tem tanto medo de tristeza, no fundo, é triste. Quem é alegre o tempo todo não se deixa abater por um poema triste, não é mesmo? Aliás, quem é alegre o tempo todo? Quem tem pena do poeta que sofre não tem noção de como é ele próprio o digno de pena. Reconhecer o próprio sofrimento e transformá-lo em poesia não é sofrer mais. É lidar com a vida de maneira madura. É saber se olhar no espelho. Botar para fora os fantasmas. Trazer à luz da consciência aquilo que estava preso e escondido na escuridão do inconsciente. Quantas vezes eu não sofri com algum sentimento até ser curada pela poesia? Foram inúmeras as ocasiões em que eu, apenas depois de escrever um poema, consegui enxergar finalmente os meus traumas, medos e problemas a serem solucionados. É como se o poema me acendesse uma luz no fim do túnel. E o mesmo acontece na escrita erótica. Quando escrevemos sobre sexo, acendemos nossa libido. Botamos fogo no coração. E isso é ótimo! Quem tem uma vida sexual ativa é mais feliz. E mais: quando escrevemos sobre sexo, sem querer, abrimos algumas portas do inconsciente. Despertamos desejos internos até então desconhecidos, vontades que estavam escondidas, com medo de se mostrarem... Por isso, meu conselho para quem se comove demais com as dores do poeta ou para quem fica chocado com as palavras dele sobre sexo, é um só: escreva também. Você vai ver como é bom. Se preferir, não precisa mostrar pra ninguém. Tudo bem. O que importa é você escrever com o coração, botar pra fora os próprios fantasmas e depois ler com calma e analisar racionalmente o que foi escrito. Você vai se sentir muito mais livre e vai se surpreender com o que sua mente é capaz de fazer. Palavra de escritora!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ser ou parecer? Eis a questão (poema)

Pareço ser careta,
mas não sou.
Pareço ser ninfeta,
isso já passou.

Pareço ser boazinha.
Quem me dera!
Pareço ser mansinha,
mas sou fera.

Pareço ser alegre,
mas sou triste.
A alegria aparece
e a tristeza persiste.

Pareço ser uma boba,
devo ser,
afinal, perco meu tempo
em te dizer.

Será que você não entende?
Não é fácil perceber?
As pessoas sempre se escondem,
fingindo ser com o parecer.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Idiotas Completos (poema)

Não excluo pessoas
e sim atitudes.
Todos têm seus vícios,
mas também suas virtudes.

Se por acaso sou obrigada
a conviver com alguém,
procuro entender seus defeitos,
e qualidades também.

Se as diferenças me irritarem,
trabalho a angústia dentro de mim.
Não pode ser culpa só do outro.
Por que o fulano me irrita assim?

Geralmente, há um motivo,
por mais bobo que seja.
Pode ser que aquele corpo
tenha algo que você deseja.

Pode ser apenas cisma
porque ele é aquilo e você não.
O nome disso é inveja,
raiva criada da frustração.

É por isso que não excluo,
não odeio, não deleto.
Sei que todos somos humanos,
e uns idiotas completos!

Quando te vejo (poesia erótica)

Minha fala se cala
e se tranca em minha boca,
explode no desejo por teu beijo
e me faz tirar a roupa.

E assim me perco nos teus olhos,
profundos e negros, a me sorrirem.
Te faço o leito, te dispo a roupa,
te dou o peito, me deixas louca.

Nossos corpos vão se tocando
e se embrenhando no azul lençol.
Nossos poros vão dilatando
e a pele queima tal qual o sol.

Te lambo o sal, te dou meu céu
e enfim mergulhas lá no meu mar.
Então navegas, submarino,
até o amor nos aflorar.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Repaixão (poesia erótica)

Estou apaixonada mais uma vez.
Encantada com tua voz.
Teus olhos negros tão profundos,
de ti me inundo, vontade atroz.

Teu corpo macio me aconchega,
me aquece a alma, me deixa cega.
Só vejo amor, esqueço o mundo,
me dá tua mão e me carrega.

Me leva pra longe de todo barulho,
e me derrama em tua cama.
Esqueceremos o nosso orgulho
e deitaremos em nossa fama.

Porque é pra isso que estamos aqui,
para explorar nossa libido.
Afinal, estou amando,
me apaixonei por meu marido!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Degusta-me (poesia erótica)

Degusta-me bem devagar.
Hoje quero teu carinho.
Me faz beber, te ver, dançar,
que eu tiro a roupa do teu caminho.

Grudemos os nossos corpos,
os nossos dedos descendo então.
Cabelos, pescoço, tronco,
unhas e línguas,
beijos e mãos.

A unha suave,
o arrepio.
Massagem e pele,
não dê um pio.

Quero gemidos, sorriso e tempo.
O vento leve na água a frio.
Calor crescendo dentro da pele,
vontade louca de entrar lá.

Entremos devagarinho.
Buraco negro do infinito.
Dançando em cima,
meu corpo, insisto.
E você embaixo,
crescendo o ritmo.

Acelerando,
agora é fúria,
tesão, encanto,
amor, luxúria.

Gozemos juntos,
vem, meu amor,
te quero sempre,
com muito ardor.

Me ama (poesia erótica)

Encara meus olhos
e chega mais perto.
Encosta em meu corpo
teu membro ereto.

Arrepia minha nuca
com o ar de tua boca.
Arranha a minha carne
e me tira a roupa.

Beija meus lábios,
me percorre com a língua,
quero sentir tua pele
saber que estou viva.

Me puxa, me empurra,
me amarra, me surra.
Me prende, me ata
e penetra-me a mata.

Acelera o ritmo,
me faz cavalgar.
Me faz pedir mais,
até eu gozar.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Amor literário (poema)

Eles dois são poetas.
Se orgulham de serem escritores.
Não se correspondem por palavras,
mas transformam em arte seus amores.

A ficção substitui a realidade.
Como a verdade não pode ser dita,
pegam a idéia e o sentimento,
misturam tudo e nasce a escrita.

Quem lê seus textos,
publicados em orkut, blogs e afins,
não tem idéia de quem os inspira.
Como podem amar assim?

Ele escreve um poema, publica e avisa.
Ela manda e-mail, replica e verbaliza.
E assim, a dor da espera
Faz do silêncio, paixão sincera.

E as palavras do poeta
vão além dos olhos da amada,
se espalham pela internet
e deixam outras leitoras apaixonadas.

E o mesmo ocorre com a rima dela,
como, aliás, tinha de ser.
A poesia não é mais dos autores,
e passa a ser parte de quem a lê.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Agora (poesia erótica)

Não quero ser tua
na rua,
quero ser nua na tua,
no quarto.

Não te quero só meu,
quero você e eu.

Não quero teu papo
de amor, ilusão, o que for...
Te quero de papo pro ar
comigo a rolar pelo chão...

Não quero a tua cara amarrada,
teu drama. Que nada!
Quero brigar na tua cama,
ser tua sacana, insana
e não namorada ajuizada!

Não sou de fachada
e nem te preciso pra isso.
Te quero sorriso, desejo
e tudo o que sinto
quando te vejo...

Não quero “tentar”
ou fingir que é sério.
Vamos apenas gozar
esse nosso mistério.

E se algum dia,
(quem sabe?)
“o sentimento rolar...”
deixa ele crescer
e a gente vê no que dá.

domingo, 4 de maio de 2008

Hereditariedade (poema)

Por que o teu passado me persegue
se o presente carrego sozinha?
Pra quê memória de tua vida
se na vida a dor é minha?

Nosso cordão não se cortou
e teu ventre ainda me abriga,
o teu rasgo cicatrizou
e arde em mim a tua ferida.

As tuas rugas não te envelhecem
só te completam, te fazem rica.
A tua tristeza não te merece,
então em mim ela se explica.

Mas é redundante sofrer assim.
Se nos teus olhos nascem as lágrimas,
porque diabos morrer em mim?!